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AIDEF lança modelo regional para atendimento de pessoas migrantes
Foi realizado nesta quinta-feira
(25/03/2021) o seminário
internacional “Acesso à Justiça de
Pessoas no Contexto de Mobilidade
na América Latina”, organizado
pelo programa EUROsociAL+ da
União Europeia e pela Associação
Interamericana de Defensorias
Públicas (AIDEF), instituição de
que a Defensoria Pública da União
(DPU) é membro. Na oportunidade,
foi lançado um modelo para
atendimento de pessoas migrantes.
“A questão da migração é um
tema regional e depende de soluções
regionais. Este é o grande marco
do nosso modelo”, afirmou em sua
intervenção o defensor público
federal João Chaves, coordenador
do Grupo de Trabalho Migrações,
Apatridia e Refúgio da DPU. “O
mais interessante é que o modelo
tem como princípio uma perspectiva
integrada da migração, que não é
tratada como um tema isolado. A
ideia é de que a assistência jurídica
que prestamos não se ocupa apenas
de detenções e documentos, mas
envolve temas como acesso a
serviços, registro civil, crianças
migrantes e direito de família, além
do enfoque de gênero que caracteriza
a atuação. Outro ponto interessante
é a não adesão a uma divisão binária
entre situação de refúgio e migração
econômica. O modelo está atento à
multiplicidade de fenômenos e sua
interseccionalidade”, completou.
O seminário apresentou algumas
das principais conclusões do
diagnóstico “Acesso à Justiça de
Pessoas no Contexto da Mobilidade
Humana”. O relatório observa, entre
outros aspectos, que as dificuldades
enfrentadas pelos migrantes e
refugiados que buscam regularizar
sua situação documental foram
agravadas pela crise de Covid-19,
uma vez que os procedimentos
migratórios em muitos países estão
suspensos. O diagnóstico também
fornece uma descrição das principais
necessidades legais enfrentadas
por esses grupos, como acesso à
documentação para regularização,
bem como acesso a direitos como
saúde, educação e representação
legal para pessoas processadas
criminalmente.
O estudo mostrou ainda que
21% dos defensores públicos
acreditam que as necessidades
legais de migrantes e refugiados não
são conhecidas em seu respectivo
país – e até mesmo em sua própria
instituição. Além disso, em 36% dos
casos, as Defensorias não possuem
uma linha de trabalho específica para
esses grupos, mas estão dentro dos
serviços prestados aos usuários em
geral e 43% dos defensores públicos
não possuem um protocolo ou
instrumento especial de assistência
jurídica a migrantes e estrangeiros.
Essa situação, como observam
os especialistas reunidos no
seminário, revela a importância da
criação de uma rede de assistência
regional aos migrantes, bem como a
disseminação das melhores práticas
de assistência jurídica para esses
grupos.
O Modelo
A Associação Interamericana de
Defensores Públicos, coordenada
pela Defensoria Geral da Nação
Argentina, com o apoio do
EUROsociAL+, cuja gestão é
liderada pelo FIIAPP, e sob a
iniciativa da Defensoria Pública
da União e da Defensoria Criminal
Pública do Chile, tem trabalhado
nos últimos dois anos para a
criação da Rede e do modelo
regional de assistência jurídica às
pessoas em situação de mobilidade,
apresentados durante o seminário.
O objetivo do Modelo é orientar
a forma como as defensorias
públicas da região cumprirão as
regulamentações internacionais de
direitos humanos, para melhorar
o acesso à justiça para esse grupo
populacional. Por sua vez, a Rede de
Assistência Jurídica aos Migrantes,
integrada pelos membros da AIDEF,
será um espaço para as Defensorias
compartilharem e trocarem
informações em casos específicos,
entre outros aspectos.
“À medida em que nos
comprometamos seriamente com
a implementação do modelo e da
rede, vamos conseguir uma real
melhora na qualidade de vida das
pessoas em situação de migração e
ressaltar a dignidade humana dessas
Kestelboim, e a defensora-geral do Paraguai, María Lorena Segovia Azucas.
REDPO
A Reunião Especializada de Defensores Públicos Oficiais – REDPO é um foro precípuo do Mercosul direcionado
à cooperação e integração, com objetivo de promover o fortalecimento institucional das Defensorias Públicas Oficiais
e colaborar na defesa dos direitos humanos e das garantias reconhecidas pelos Tratados, Legislações e Constituições
Nacionais dos Membros e pelas normas do Mercosul.Clique aqui e saiba mais Clique aqui e saiba mais dpu.def.br/internacional dpu.def.br/internacional 7
pessoas, de modo que não possam
continuar sendo ignoradas e não
deixem ser ouvidas. Nós somos a
voz desses migrantes, precisamos
conseguir que eles finalmente
tenham qualidade de vida, como
todo ser humano merece”, disse a
coordenadora geral da Aidef, Stella
Maris Martínez.